segunda-feira, 28 de setembro de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Paulo Henrique Amorim fala sobre lançamento de livro e influência do 4º Poder: A Globo e Cia...


No livro, Paulo Henrique Amorim destaca a influência da mídia na sociedade e quando ela é usada de maneira duvidosa, favorecendo interesses de conglomerados da comunicação. Confira a conversa entre apresentador doDomingo Espetacular e Heródoto Barbeiro.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido

O senador tucano foi flagrado estacionando um carro da rádio Arco Íris – pertencente a sua família – em uma vaga para deficientes físicos na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, pouco antes da manifestação contra a “corrupção” do governo. Em 2012, Aécio foi parado por dirigir sem carteira de habilitação em um veículo da mesma empresa, que é investigada por receber repasses quando era governador de Minas Gerais
Por Redação
O senador Aécio Neves (PSDB) compareceu neste domingo (16) à manifestação de Belo Horizonte (MG), que tinha como uma das principais bandeiras o fim da corrupção. Para chegar até a Praça da Liberdade, local onde ocorreu a concentração do protesto, o ex-candidato à presidência da República utilizou um carro da rádio Arco Íris – empresa que pertence a sua família -, e não deu lá o melhor exemplo pela causa, como figura pública que é. Ele estacionou seu Toyota Hilux em uma vaga exclusiva para deficientes físicos.

Não é a primeira vez que Aécio infringe as leis de trânsito. Em 2012, ganhou repercussão o episódio em que o senador foi parado pela polícia por dirigir sem carteira de habilitação. Na ocasião, constatou-se que o veículo que ele conduzia também pertencia à rádio de sua família. A rede Minas Sem Censura, então, entrou com uma representação no Ministério Público e passou a investigar as verbas repassadas à empresa ao longo dos governos tucanos no estado.

Na lista de patrimônios da companhia, consta o veículo que Neves utilizou neste domingo (placa HHH 0211). Ao todo, a rádio possui 12 carros registrados no DETRAN/MG, sendo seis deles considerados veículos de luxo. Na representação, configura-se a tese de que houve ocultação de patrimônio e que os carros de luxo são utilizados para a “satisfação pessoal” dos sócios e familiares da empresa, invalidando a necessidade do repasse das altas verbas governamentais que ocorreram ao longo do governo Aécio. “Não aceitamos tanta impunidade, tanta mentira, tanta corrupção”, disse o senador no protesto pouco depois de parar o carro em local proibido.

Protesto em BH
foi contra o Bolsa Família

Aecistas querem o Golpe militar
Saiu na Rede Brasil Atual:

MANIFESTANTES DE BH REVELAM INCOERÊNCIA SOBRE GOLPE E SITUAÇÃO ECONÔMICA DO PAÍS

Maioria dos que foram ao centro da capital mineira no domingo era de classe A e B. Metade já votou no PT, maioria votou em Aécio Neves no segundo turno de 2014, mas menos de metade votaria de novo
São Paulo – Pesquisa realizada pelo grupo Opinião Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante os protestos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no último domingo (16), em Belo Horizonte, revela, por exemplo, incoerência dos manifestantes quando se posicionam sobre um golpe militar para tirá-la do poder ou quanto à piora nas condições de vida. Como em abril, a pesquisa de agora constata que é grande a aversão aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, as cotas raciais e o Mais Médicos. Novos dados trabalhados foram os sentimentos de aversão, raiva e tristeza relacionados ao PT.

Embora o discurso mais aguerrido de defesa de uma intervenção militar tenha se reduzido em relação às primeiras manifestações, apenas 13% dos manifestantes entrevistados ainda dizem que esta seria “a melhor saída” neste momento. Porém, quando questionados sobre qual seria a melhor ação para livrar o país de uma situação de desordem social, 46,8% são favoráveis à intervenção militar – demonstração de que, embora não defendam diretamente, muitos também não se opõem a um golpe de Estado para tirar o PT do poder.

A mesma incoerência é registrada quando o assunto é a crise econômica: 93,1% dos entrevistados consideram que a situação do país está ruim ou péssima. Perguntados sobre como está a situação financeira pessoal, comparada com dez anos atrás, 66,6% responderam que está pior. No entanto, quando questionados se têm alguma conta em atraso, há pelo menos 30 dias, 67,5% dizem não ter nenhuma dívida atrasada.

“O que percebemos é que, apesar da alta renda e do grau de instrução, os manifestantes não têm coerência ao apontar problemas ou soluções. Está tudo ruim, mas as contas estão em dia. Não aceitam a pecha de golpistas, mas são favoráveis a intervenção militar se houver ‘desordem’”, destacou a professora Helcimara de Souza Telles, do programa de pós-graduação em Ciência Política da UFMG.

Os manifestantes também se mostraram indecisos quando o assunto é o direito à terra rural. Quando questionados sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os defensores do impeachment foram majoritariamente avessos à entidade: 78,6%. Ao mesmo tempo, 57,7% se disseram favoráveis à reforma agrária, principal objetivo da luta do MST. Para a professora, o que pesa neste caso é que os sem terra são frequentemente associados, pela mídia tradicional, ao PT e à baderna, representada no imaginário dos entrevistados pela ocupação de propriedade privada, sem considerar o fim social da terra. “Mas a reforma agrária ampliaria a possibilidade de obter propriedade, o que é bem visto por eles”, explica a professora.

Perfil

Os pesquisadores realizaram 434 entrevistas durante todo o dia, na Praça da Liberdade, centro da capital mineira, onde pelo menos 7 mil pessoas realizaram um dos protestos pelo impeachment da presidenta Dilma.

O recorte socioeconômico medido foi semelhante ao da manifestação de abril, com 56,6% dos manifestantes com renda superior a cinco salários mínimos, enquanto 30,6% têm renda superior a dez mínimos. Quanto ao grau de instrução, 52,3% tinham ensino superior completo e 12,2% ingressaram neste nível sem terem completado os estudos.

Pelo menos um terço deles participava pela primeira vez de uma manifestação organizada pela direita após as eleições do ano passado. Do total, 29% disseram protestar contra a corrupção e 41,7% tinham como alvo direto o governo petista. Para 77,2% dos manifestantes, a melhor saída para o país seria a renúncia ou o impeachment de Dilma. Outros 73,3% consideram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “um dos maiores malfeitores do Brasil”.

Embora a manifestação fosse claramente contra o PT, Helcimara destacou que 53,7% dos manifestantes declararam ter votado no partido de Lula pelo menos uma vez. E uma proporção muito próxima, entre 53% e 56%, dão nota máxima, em uma escala de zero a dez, aos sentimentos de “aversão”, “raiva”, e “tristeza” em relação à legenda.

A mesma relação se aplica quando o questionamento envolve a presidenta Dilma. “É possível que muitos tenham votado em Lula para presidente. Isso me parece um alerta ao PT. As pessoas demonstram se sentir traídas”, afirma a professora.

De acordo com a pesquisa, os principais motivos de oposição ao PT entre os manifestantes de Belo Horizonte são os programas sociais. Para 74,5% deles, o Bolsa Família deixa as pessoas preguiçosas. Outros 61,3% são contra a vinda de médicos cubanos ao país. E 64,7% defendem a extinção das cotas raciais.

Além disso, os pesquisadores observaram um sentimento de superioridade quanto a outras classes ou regiões do país. Para 52,1%, “os nordestinos têm menos consciência política na hora de votar do que as pessoas de outras regiões do país” e para 74% “os pobres são mais desinformados na tomada de suas decisões políticas”.

Apesar do perfil conservador, os manifestantes também se mostraram divididos quando perguntados sobre porte de armas para “cidadãos honestos” (53% favoráveis), legalização do aborto (46,5% favoráveis), pena de morte (41,5% favoráveis).

Os itens em que o posicionamento foi mais definido entre os manifestantes mineiros foram a redução da maioridade penal (74,5% favoráveis), a liberação do consumo de maconha (67,5% contrários) e casamento entre pessoas do mesmo sexo (61,1% favoráveis).

Já em relação à reforma política, houve expressivo apoio ao fim do financiamento privado de campanhas eleitorais (61,3%) e ao fim da reeleição (73,9%). Quanto à chamada Agenda Brasil, 60,3% se mostraram contrários ao aumento do tempo de trabalho para a aposentadoria, mas 43% se disseram favoráveis à cobrança no Sistema Único de Saúde para os mais ricos.

Mesmo estando presente na manifestação – também pela primeira vez –, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já não encanta tanto os manifestantes mineiros, segundo dados colhidos pelos pesquisadores.

Dos entrevistados, 78,6% dizem ter votado no tucano no segundo turno da última eleição, mas somente 48,6% afirmam que votariam nele hoje. Entre os demais, 6% disseram que votariam no ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e outros 6,7% no deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). E 19% não têm candidato. 
Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/

Os Anos JK - Uma trajetória política

sexta-feira, 24 de julho de 2015

"A GLOBO É O PRINCIPAL AGENTE DA IMBECILIZAÇÃO DA SOCIEDADE" - Igor Fuser.

(Foto: UJS/Portal Vermelho)
A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX. Substitui perfeitamente a Igreja Católica como instrumento de controle das mentes e do comportamento. 

Por Igor Fuser, no Diário Liberdade - reproduzido do Portal Vermelho, de 19/07/2015

A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público. 


Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).

Fonte:  EVIDENTEMENTE - http://blogdejadson.blogspot.com.br/

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Prostituição em ‘Verdades Secretas’ causa revolta entre profissionais da moda (Mas ninguém falou ainda, em processar a Rede Globo ou pedir a prisão do autor, Walcyr Carrasco)

CARMEN LUCIA
Rio - Uma menina linda que sonha ser modelo. De repente, ela se vê em uma grande cidade e encontra  a oportunidade para conquistar o mundo da moda. Mas, por trás do glamour das passarelas, existe um universo obscuro, o chamado ‘book rosa’, em que as profissionais também se prostituem. A história de Angel (Camila Queiroz), exibida na novela ‘Verdades Secretas’, de Walcyr Carrasco, tem causado muita polêmica no mundo da moda e dividido opiniões.
Camila Queiroz na pele da protagonista Angel - Foto: Reprodução
“Não sabia do ‘book rosa’ e nunca recebi uma proposta indecente. A Angel faz por necessidade, e é por essas meninas que eu estou contando esta história. Não é a melhor maneira, mas é o que aparece na vida dela”, diz a protagonista da trama, Camila Queiroz, 22 anos, modelo desde os 14. “Eu já vi de tudo, drogas, prostituição. Nunca deixaria uma filha tentar ser modelo com menos de 18. A personalidade dela ainda está em formação e é facilmente influenciável”, opina Yasmin Brunet, 27, que começou a modelar aos 13 e hoje faz parte do elenco da novela da Globo como Stephanie. Apesar da defesa das duas atrizes, a associação do universo das modelos com o das garotas de programa tem gerado revolta. “Eu não vou ser hipócrita de dizer que nunca escutei esse termo. É claro que o ‘book rosa’ existe, mas eu nunca vi nada disso perto de mim. O problema da novela é que ela está colocando as coisas de um jeito que faz o telespectador achar que todas as modelos são vagabundas. E não é assim”, dispara Talytha Pugliesi, 33, modelo há 18. “A realidade é uma coisa e a ficção é outra, tem muita coisa na ficção que não condiz com a realidade”, ressaltou a ex-modelo e atriz Letícia Birkheuer, 36, em entrevista à rádio ‘Jovem Pan’.
Yasmin Brunet, que participa da novela 'Verdades Secretas' Foto: Felipe Panfili / Ag. News
Já a top Lais Ribeiro, 24, modelo da badalada grife de lingerie norte-americana Victo- ria’s Secret, escreveu em seu Instagram: “A nossa indignação é que a novela mostra só a parte errada do nosso trabalho, e não o esforço que fazemos para chegar onde estamos.” Bastante insatisfeito, Sérgio Mattos, agente e dono da 40 Graus Models, comenta que a novela tem criado muitos problemas para o seu negócio. “A coisa já está bastante feia para modelos e agentes. Lutamos muito para profissionalizar o mercado, e a repercussão da novela não ajuda. Minhas ‘new faces’ estão sofrendo bullying e os pais estão desesperados. O que está sendo passado na novela é que o mundo da moda é só sexo, drogas e rock and roll”, reclama ele. Estilista e consultor de moda da novela das 23h, Dudu Bertholini acredita que não se deve levar a trama ao pé da letra: “A novela é uma obra ficcional, o foco é a dramaturgia. Não há intenção de denegrir. Até porque pessoas que se vendem por dinheiro existem em todas as áreas, no direito, no futebol ou na televisão.” Dinho Batista, instrutor de passarela e inspiração para a criação do booker Visky (Rainer Cadete) de ‘Verdades Secretas’, tenta explicar a confusão. “A prostituição acontece mais com quem faz eventos. É claro que não estou generalizando, não é todo mundo que faz. O fato é que, na ficção, estes dois mundos — o das modelos de passarela e o das modelos de eventos — se misturaram. Mas são perfis diferentes. Nenhum cara vai querer ir pra cama com as magricelas que desfilam. E, na nove- la, fica claro que aquela agência não é confiável. O ponto positivo nessa aborda- gem é que ela pode servir de alerta para quem procura uma agência séria”, avalia o profissional, que também atua como assessor pessoal das tops Fernanda Tavares, Isabeli Fontana, Shirley Mallmann, Emanuela de Paula, Cintia Dicker e Michele Alves.
FONTE: http://odia.ig.com.br/diversao/2015-06-27/prostituicao-em-verdades- secretas-causa-revolta-entre-profissionais-da-moda.html
A atriz Camila Queiroz defende seu personagem.
"Espero que a Arlete não seja rejeitada pelo público porque tudo o que ela faz é pela mãe e pela avó. Ela abre mão da vida dela para salvar a família, tudo o que ela faz não é por ela. Espero que as pessoas vejam isso. Ela está querendo ajudar e não prejudicar", defende a estreante
FONTE: http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/08estreante- na-tv-protagonista-de-verdades-secretas-teme-rejeicao.htm - (Google)
A MAE DA ATRIZ ESTÁ "ORGULHOSA"
"Falo umas 15 vezes por dia com ela”, revela a mãe coruja, que assistiu às cenas em que a filha aparece nua ao lado de Rodrigo Lombardi: “São bem picantes, né? Mas confio no profissionalismo dela. Estou orgulhosa”.    
FONTE: Leia mais: http://extra.globo.com/famosos/camila-queiroz-ja-brigou-por- sorvete-fala-com-mae-15-vezes-por-dia-nao-quis-que-pai-visse-nua-em-verdades-secretas-16535354.html#ixzz3g5svDfmq
Conexão Repórter - O Outro Lado da Passarela 2 - Parte 1
Conexão Repórter - O Outro Lado da Passarela 2 - Parte 2



 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Desnorteada com o discurso anticapitalista do Papa, mídia foca em crucifixo

Luiz Carlos Azenha - no Viomundo

O Papa Francisco fez um discurso anticapitalista  (Quinta Feira - 09 de julho) na Bolívia, referindo-se ao sistema econômico como “ditadura sutil”.

Foi no Segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra.

“A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral”, afirmou.

Também disse que a concentração da mídia é instrumento de “colonialismo ideológico”, pois “a concentração monopólica dos meios de comunicação social pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”.

O papa pregou “mudança de estruturas” e disse que mesmo entre a elite econômica que se beneficia do sistema “muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza”.

Para João Pedro Stélide, líder do Movimento dos Sem Terra, que estava presente, o discurso do papa foi “irretocável”, ao atacar a busca do lucro sem considerações sociais e ecológicas como um dos grandes problemas da atualidade.

O colunismo brasileiro preferiu focar no presente inusitado que o presidente da Bolívia, Evo Morales, deu a Francisco: um Cristo crucificado em foice e martelo.

Na Folha, Igor Gielow chamou de “aberração” sem explicar a origem do presente.

É a reprodução de uma escultura do sacerdote espanhol Luis Espinal, que tinha ligação com movimentos sociais bolivianos e foi assassinado por paramilitares em 1980.

Fez parte da programação do papa em solo boliviano uma homenagem a Espinal, que era jesuíta como o atual pontífice.

A “aberração” a que se referiu o colunista da Folha demonstra o quanto ele desconhece a História dos jesuítas no período colonial.

Na introdução de A República Guarani, de Clovis Lugon, Antônio Cechin descreve:

Na América Latina, entre o século 16 e o século 18, a expansão da Companhia de Jesus (jesuítas), exerceu um papel de contrapartida humanista e espiritual da conquista militar e da dominação política. A metodologia de ação dos padres consistiu em reagrupar os índios em cidades-paróquias autônomas, propícias ao ensino e à evangelização. Surgiram assim 33 “Reduções” da Província Jesuíta do Paraguai, edificadas e habitadas pelos Guarani. Graças às disposições metafísicas desses Índios, a suas afinidades espirituais e culturais com os Jesuítas, à ação ao mesmo tempo prudente e audaciosa desses últimos, aquilo que se chamou “República Comunista Cristã dos Guarani” iria ser, durante 150 anos (1610 a 1768), o teatro de uma experiência humana e religiosa única, portanto sem similar na história, permitindo aos índios aceder ao estatuto de cidadãos livres, em tudo semelhantes aos espanhóis e, em muitos aspectos, culturalmente superiores a esses.

No bairro que fica bem atrás do Palácio Miraflores, em Caracas, o 23 de Enero, um dos bastiões do chavismo, eu vi pessoalmente numa parede a imagem de Che Guevara retratado como Cristo, de metralhadora na mão.

Hugo Chávez era ao mesmo tempo socialista e católico fervoroso. Bebia na fonte de Enrique Dussel, o filósofo argentino radicado no México autor dentre muitos outros de Filosofia da Libertação, Teologia da Libertação e Ética da Libertação, nascidos de reflexão sobre a história da Igreja Católica durante a colonização das Américas.

Nosso ponto é que o espanhol Luis Espinal não é maluco por ter juntado numa escultura Cristo, a foice e o martelo, que acima de tudo são símbolos de camponeses e operários.

Independentemente de você concordar ou não com isso, existe uma longa tradição de cristianismo “de esquerda” ou de socialismo “cristão” na América Latina.

Obviamente, o jornalismo “ligeiro” desconhece isso.

O governo boliviano desmentiu oficialmente boatos disseminados pelas redes sociais segundo os quais o Papa teria manifestado desconforto ao receber o presente.

Francisco, segundo difundido por parte da mídia boliviana, teria dito “não se faz isso” ao receber o presente, quando o áudio deixa claro que ele afirma “não sabia disso” ao ouvir a explicação de Evo Morales sobre a escultura.

Em outras palavras, a direita midiática boliviana pirou com o progressismo de Francisco e, por extensão, a brasileira.