sábado, 31 de outubro de 2015

DEBATE DA CONJUNTURA: O “MEGA ESQUEMA DE CORRUPÇÃO” DA DÍVIDA PÚBLICA É ESCONDIDO DOS BRASILEIROS


Sessenta pessoas lotaram o auditório do Sindpec, nos Barris
Primeira matéria após o primeiro debate ANÁLISE DE CONJUNTURA: ENTENDER A REALIDADE PARA TRANSFORMÁ-LA, realizado na quinta-feira, dia 22, no Sindpec, em Salvador. Outras matérias virão e o segundo encontro já está marcado para 11 de novembro.

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do Blog Evidentemente – publicado em 26/10/2015

O governo brasileiro em 2014 gastou 978 bilhões de reais com juros e amortizações da dívida pública, ou 45,11% do orçamento executado, bem mais que os 718 bilhões de reais (40,30%) gastos no ano anterior.

A informação é do professor Joaci Cunha, assessor do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), citando dados da Auditoria Cidadã da Dívida, entidade fundada no Brasil pela ex-auditora da Receita Federal, Maria Lúcia Fattorelli, cujo trabalho tem reconhecimento internacional - participou da auditoria da dívida do Equador e da Grécia.

Em entrevista à revista Carta Capital, em junho último, Fattorelli se refere à dívida pública como “o mega esquema de corrupção institucionalizado”, (reproduzi a matéria no Evidentemente – link aqui).

As informações sobre tal tema, porém, são praticamente sonegadas à população brasileira: o governo as esconde com artimanhas contábeis e os monopólios da mídia hegemônica, atrelados aos interesses do capital financeiro (especulativo por excelência), também tratam de silenciar: você, com certeza, nunca verá o Jornal Nacional (da TV Globo) falar sobre este escândalo, nem tampouco outros veículos da chamada grande imprensa, pelo menos com algum destaque.

O aprisionamento do Estado brasileiro ao esquema da dívida pública – hoje em torno de 3,6 trilhões de reais – não foi destacado apenas por Joaci Cunha durante o debate ANÁLISE DE CONJUNTURA: ENTENDER A REALIDADE PARA TRANSFORMÁ-LA, realizado na última quinta-feira, dia 22, no Sindpec, em Salvador. 
Joaci, Carlos Freitas, da Comissão da Verdade da Faculdade de Direito, que coordenou os debates, e Renildo Souza, professor da Faculdade de Economia
Renildo e Luiz Filgueiras, também professor da Faculdade de Economia da UFBa
Linauro Neto, advogado, ativista da Oposição Operária (OPOP), que publica a revista Germinal
Também Luiz Filgueiras, professor de Economia da UFBa, um dos quatro debatedores no encontro, foi enfático ao falar do crescimento da dívida pública brasileira e do “novo bloco no poder sob a hegemonia do capital financeiro, que passou a ditar as políticas fundamentais do Estado”.

Ao frisar que o tema é hoje central não só no Brasil, mas em todo mundo – “o ajuste fiscal é permanente”, observou – Filgueiras chamou a atenção para a atualidade da advertência de Karl Marx, de lá do século 19, segundo o qual “todo tesouro é real (de realeza, do rei) e toda dívida é pública”.

Tema será destaque na nova Cadernos do CEAS

A dívida pública será tema de destaque na nova revista Cadernos do CEAS, a ser relançada no próximo dia 20, em Salvador, agora em edição online. Joaci Cunha, editor-chefe da publicação, me enviou um pequeno trecho de seu artigo – agradeço a deferência -, ampliando a informação que abre esta matéria:

“A resposta oficial a este quadro (situação da dívida pública), todavia, foi crescentemente recorrer ao receituário neoliberal dos ajustes fiscais e elevação da taxa de juros. Desde então, os cortes de despesas orçamentadas vêm se sucedendo, tendo essas verbas como destino o pagamento adicional da dívida. Paralelamente, o governo elevou os juros até o patamar atual de 14,25%, o mais elevado do planeta, evidenciando seu compromisso com os interesses do capital financeiro e sua sanha especulativa.

Com isso cresce ainda mais a parcela do orçamento comprometida com a dívida. No Brasil, em 2014, o governo federal gastou R$ 978 bilhões com juros e amortizações da dívida pública, ou 45,11% do orçamento executado, bem mais que os R$ 718 bilhões (40,30%) gastos no ano anterior.

(ÁVILA, Rodrigo, e FATTORELLI, Maria L. “Gastos com a Dívida Pública em 2014 superaram 45% do Orçamento Federal Executado”. In http://www.auditoriacidada.org.br/e-por-direitos-auditoria-da- ).

O critério utilizado pelos autores soma as parcelas informadas pelo governo a título de “juros” e “amortizações”, no total de R$ 978 bilhões, por duas razões: 

(1) A parcela informada a título de “Juros e Encargos da Dívida” foi de apenas R$ 170 bilhões. Conforme vem sendo denunciado desde a CPI da Dívida Pública - Câmara dos Deputados, em cada ano o governo vem deixando de computar grande parte dos juros nominais, classificando-a como “amortizações”. As estatísticas governamentais não evidenciam o valor que efetivamente está sendo pago a título de juros nominais aos detentores dos títulos. 

(2) A parcela informada a título de “Amortizações da Dívida”, ou seja, o pagamento do principal, foi de R$ 808 bilhões. Tal valor está inflado pela atualização monetária de toda a dívida, que deveria fazer parte dos juros, pois de fato é parte da remuneração dos títulos, mas está sendo contabilizada como se fosse “amortização”, conforme também denunciado desde a CPI da Dívida Pública”.

Novo debate no dia 11 de novembro

Outros expositores participaram do encontro do dia 22 (veja as fotos) e outros aspectos da conjuntura nacional e internacional foram abordados e serão objeto de matérias neste blog. Outros quatro ativistas políticos e acadêmicos farão parte do debate do próximo dia 11 de novembro (uma quarta-feira - a data foi mudada, era 5/novembro): Pery Falcón, Jorge Almeida, Celi Taffarel e Sílvio Humberto.


O evento é promovido pelo CEAS, o Projeto Velame Vivo (PVV), a Comissão da Verdade da Faculdade de Direito da UFBa e por este Blog Evidentemente – www.blogdejadson.blogspot.com 

JOSÉ CRISÓSTOMO: “A RUINDADE ALOPRADA DA OPOSIÇÃO É O MAIOR TRUNFO DO GOVERNO. MAS NÃO CONSOLA O POVÃO APERTADO”

(Foto: Internet)
Professor de Filosofia da UFBa entra no debate da conjuntura e interpela “esse pessoal de pequenas siglas sectário-delirantes”: “Como alguém pode fazer avaliação focada em particular do sistema financeiro e da gorda alta de juros, sem nenhuma referência ao fato de que Dilma forçou e conseguiu (...) baixar os juros brasileiros nominais para um dígito?”

Por José Crisóstomo - Transcrição e edição por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do Blog Evidentemente http://blogdejadson.blogspot.com.br – publicado em 28/10/2015 (ver observação abaixo)


De meu lado, aqui entre nós, acho esse pessoal de pequenas siglas sectário-delirantes totalmente aloprado e incapaz de ver qualquer coisa na linha de entender a crise por que passa o país. Por esse pessoal, o país naufraga ainda mais.

Veja. Como alguém pode fazer avaliação focada em particular do sistema financeiro e da gorda alta de juros, sem nenhuma referência ao fato de que Dilma forçou e conseguiu, com certa tranquilidade política e até aprovação geral, e com meu aplauso caloroso, baixar os juros brasileiros nominais para um dígito, feito histórico sem precedentes, algo se bem me lembro como 7,5%, e os juros reais pra 2% (!!!), enquanto a própria imprensa capitalista do país admitia que o Brasil entrava agora no patamar normal de juros, de países normais, do resto do mundo?

Esse sim foi um verdadeiro ‘nunca dantes na história desse país’. Foi o fato mais importante e histórico de todo o primeiro mandato de Dilma. Como se pode agora, na hora de discutir a crise e a terrível alta de juros que veio com ela, deixar de fazer referência a esse que é, pelo menos na esfera econômica, seu feito mais extraordinário?

O que não funcionou, então? o que deu errado? o que não criou o ciclo virtuoso em que a queda do investimento financeiro (Brasil deixando finalmente de ser o último peru gordo do planeta, como diria o Delfim Netto) ‘forçaria’ a grana capitalista a virar investimento produtivo, que, respondendo ao generalizado aumento de renda das classes baixas, respondendo a essa demanda aumentada, faria o país finalmente explodir de crescimento, como finalmente um capitalismo de consumo de massa? Por que a taxa de investimento continuou uma merda? O investimento produtivo não veio?

E o que foi feito com a tremenda economia que, contido (!) o crime que agora se denuncia (a espoliação do país pelos financistas-rentistas-parasitas), o tesouro nacional fez, com a queda de 10 pontos percentuais nos juros, desde os tempos mais cruéis do Meirelles? (E você sabe quanto dinheiro um ponto percentual de juros custa, pra cima, ou pode ser economizado, pra baixo!).

E de onde veio a inflação que então, em plena maré de juros baixos, começou a mostrar um avanço insistente e prolongado que não foi tempestivamente enfrentado, debelado? O liberal Levy não teve tempo de causar nenhum efeito à economia (quaisquer medidas levam pelo menos seis meses) e a economia brasileira já mostrava a merda em que estava, no dia seguinte às eleições, por uma combinação perversa de estagnação e inflação. De onde veio isso?

Convenhamos, se esse fiasco não resultasse numa oposição assanhada, o que faria então com que isso resultasse? O que há de absurdo numa oposição assanhada quando a popularidade de Dilma vai lá pra baixo, não entre a burguesia, mas entre as classes pobres da sociedade?

Aliás, o caráter aloprado e desqualificado da oposição fascistoide manifestante ainda é o melhor trunfo político de que Dilma dispõe. Então, ocupemo-nos mesmo de nossas falhas. Votei nesse governo, não votaria nem agora nessa oposição de merda. Mas não dá pra não fazer uma avaliação crítica de outra merda, aquela que o governo andou fazendo, e da qual algumas pessoas surpreendentemente querem mais. Ela tá aí, exposta didaticamente, em termos bem moderados e ponderados, pelo aliado Delfim Netto. (Ou ele agora passou a inimigo neoliberal também?).

É uma pena, porque até o sucesso nas políticas sociais pode ir pro brejo com esse tipo de ‘realização’ econômica, do para-keynesianismo atrapalhado e desorientado. O lamentável é que não dá pra discutir. É o Mal que detonou a economia, não a merda da insistência tonta em medidas atrapalhadas, sob o nome de ‘nova matriz desenvolvimentista’.

Assim não tem jeito. Nós nunca erramos? Não esqueçamos que agora o governo é também um bando de gente interessada em poder, posição, cargo - o tal ‘projeto de poder’.  E a denúncia do ‘imperialismo’ nessa hora soa tão verossímil quanto a de comunismo, chavezuelismo, etc., feita pelo outro lado. É lamentável. Quem está pagando o pato são as massas.

E a crise política é em primeiro lugar o resultado do sentimento instaurado pelo quadro econômico em colapso, entre as classes populares (sic). Não tem governo popular e estável, não tem governo de esquerda ou de direita, que não entre em crise de impopularidade com uma combinação de crescimento negativo e aumento da inflação (uma façanha em qualquer lugar do mundo!). Repito: a ruindade aloprada da oposição é o maior trunfo do governo. Mas não consola o povão apertado.


Recebi do meu amigo Crisóstomo, velho companheiro de militância política, o email transcrito acima na íntegra, escrito após tomar conhecimento, através de matérias deste blog, dos debates enfocando ANÁLISE DE CONJUNTURA: ENTENDER A REALIDADE PARA TRANSFORMÁ-LA. Já houve um primeiro encontro no último dia 22 e um segundo está marcado para 11/novembro, conforme venho noticiando. O texto, como ele diz, é “uma rápida reação, uma pincelada, não um artigo ou ensaio”. 

José Crisóstomo de Souza (foto) é doutor em Filosofia Política pela Unicamp e fez seu pós-doutorado em Filosofia Contemporânea (1993-95) na UC-Berkeley. Atualmente é professor titular de Filosofia do Depto de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia Contemporânea da UFBa.

Comentário do próprio Crisóstomo:

Eu acho que o pessoal é, na verdade, menos marxista do que eu ao tentar tratar o problema econômico como essencialmente moral - bons vs maus, Bem vs Mal - e não como um desafio... ‘técnico’, ‘científico’ e político – não só ‘ideológico’ - de fazer política-econômica progressista. De solução, experimentação, tentativa e erro. Com interesses (capazes de comprometer os resultados) de todos os lados (inclusive do lado de faturar uma eleição, pra não deixar o poder e o Estado).

PARA DESCONTRAIR - Rock In Rio 2015 - Pepeu Gomes - Mil e uma noite de amor


Baby do Brasil + Pepeu Gomes - Rock in Rio 2015 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Paulo Henrique Amorim fala sobre lançamento de livro e influência do 4º Poder: A Globo e Cia...


No livro, Paulo Henrique Amorim destaca a influência da mídia na sociedade e quando ela é usada de maneira duvidosa, favorecendo interesses de conglomerados da comunicação. Confira a conversa entre apresentador doDomingo Espetacular e Heródoto Barbeiro.
Veja mais: http://www.conversaafiada.com.br/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido

O senador tucano foi flagrado estacionando um carro da rádio Arco Íris – pertencente a sua família – em uma vaga para deficientes físicos na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, pouco antes da manifestação contra a “corrupção” do governo. Em 2012, Aécio foi parado por dirigir sem carteira de habilitação em um veículo da mesma empresa, que é investigada por receber repasses quando era governador de Minas Gerais
Por Redação
O senador Aécio Neves (PSDB) compareceu neste domingo (16) à manifestação de Belo Horizonte (MG), que tinha como uma das principais bandeiras o fim da corrupção. Para chegar até a Praça da Liberdade, local onde ocorreu a concentração do protesto, o ex-candidato à presidência da República utilizou um carro da rádio Arco Íris – empresa que pertence a sua família -, e não deu lá o melhor exemplo pela causa, como figura pública que é. Ele estacionou seu Toyota Hilux em uma vaga exclusiva para deficientes físicos.

Não é a primeira vez que Aécio infringe as leis de trânsito. Em 2012, ganhou repercussão o episódio em que o senador foi parado pela polícia por dirigir sem carteira de habilitação. Na ocasião, constatou-se que o veículo que ele conduzia também pertencia à rádio de sua família. A rede Minas Sem Censura, então, entrou com uma representação no Ministério Público e passou a investigar as verbas repassadas à empresa ao longo dos governos tucanos no estado.

Na lista de patrimônios da companhia, consta o veículo que Neves utilizou neste domingo (placa HHH 0211). Ao todo, a rádio possui 12 carros registrados no DETRAN/MG, sendo seis deles considerados veículos de luxo. Na representação, configura-se a tese de que houve ocultação de patrimônio e que os carros de luxo são utilizados para a “satisfação pessoal” dos sócios e familiares da empresa, invalidando a necessidade do repasse das altas verbas governamentais que ocorreram ao longo do governo Aécio. “Não aceitamos tanta impunidade, tanta mentira, tanta corrupção”, disse o senador no protesto pouco depois de parar o carro em local proibido.

Protesto em BH
foi contra o Bolsa Família

Aecistas querem o Golpe militar
Saiu na Rede Brasil Atual:

MANIFESTANTES DE BH REVELAM INCOERÊNCIA SOBRE GOLPE E SITUAÇÃO ECONÔMICA DO PAÍS

Maioria dos que foram ao centro da capital mineira no domingo era de classe A e B. Metade já votou no PT, maioria votou em Aécio Neves no segundo turno de 2014, mas menos de metade votaria de novo
São Paulo – Pesquisa realizada pelo grupo Opinião Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante os protestos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no último domingo (16), em Belo Horizonte, revela, por exemplo, incoerência dos manifestantes quando se posicionam sobre um golpe militar para tirá-la do poder ou quanto à piora nas condições de vida. Como em abril, a pesquisa de agora constata que é grande a aversão aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, as cotas raciais e o Mais Médicos. Novos dados trabalhados foram os sentimentos de aversão, raiva e tristeza relacionados ao PT.

Embora o discurso mais aguerrido de defesa de uma intervenção militar tenha se reduzido em relação às primeiras manifestações, apenas 13% dos manifestantes entrevistados ainda dizem que esta seria “a melhor saída” neste momento. Porém, quando questionados sobre qual seria a melhor ação para livrar o país de uma situação de desordem social, 46,8% são favoráveis à intervenção militar – demonstração de que, embora não defendam diretamente, muitos também não se opõem a um golpe de Estado para tirar o PT do poder.

A mesma incoerência é registrada quando o assunto é a crise econômica: 93,1% dos entrevistados consideram que a situação do país está ruim ou péssima. Perguntados sobre como está a situação financeira pessoal, comparada com dez anos atrás, 66,6% responderam que está pior. No entanto, quando questionados se têm alguma conta em atraso, há pelo menos 30 dias, 67,5% dizem não ter nenhuma dívida atrasada.

“O que percebemos é que, apesar da alta renda e do grau de instrução, os manifestantes não têm coerência ao apontar problemas ou soluções. Está tudo ruim, mas as contas estão em dia. Não aceitam a pecha de golpistas, mas são favoráveis a intervenção militar se houver ‘desordem’”, destacou a professora Helcimara de Souza Telles, do programa de pós-graduação em Ciência Política da UFMG.

Os manifestantes também se mostraram indecisos quando o assunto é o direito à terra rural. Quando questionados sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os defensores do impeachment foram majoritariamente avessos à entidade: 78,6%. Ao mesmo tempo, 57,7% se disseram favoráveis à reforma agrária, principal objetivo da luta do MST. Para a professora, o que pesa neste caso é que os sem terra são frequentemente associados, pela mídia tradicional, ao PT e à baderna, representada no imaginário dos entrevistados pela ocupação de propriedade privada, sem considerar o fim social da terra. “Mas a reforma agrária ampliaria a possibilidade de obter propriedade, o que é bem visto por eles”, explica a professora.

Perfil

Os pesquisadores realizaram 434 entrevistas durante todo o dia, na Praça da Liberdade, centro da capital mineira, onde pelo menos 7 mil pessoas realizaram um dos protestos pelo impeachment da presidenta Dilma.

O recorte socioeconômico medido foi semelhante ao da manifestação de abril, com 56,6% dos manifestantes com renda superior a cinco salários mínimos, enquanto 30,6% têm renda superior a dez mínimos. Quanto ao grau de instrução, 52,3% tinham ensino superior completo e 12,2% ingressaram neste nível sem terem completado os estudos.

Pelo menos um terço deles participava pela primeira vez de uma manifestação organizada pela direita após as eleições do ano passado. Do total, 29% disseram protestar contra a corrupção e 41,7% tinham como alvo direto o governo petista. Para 77,2% dos manifestantes, a melhor saída para o país seria a renúncia ou o impeachment de Dilma. Outros 73,3% consideram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “um dos maiores malfeitores do Brasil”.

Embora a manifestação fosse claramente contra o PT, Helcimara destacou que 53,7% dos manifestantes declararam ter votado no partido de Lula pelo menos uma vez. E uma proporção muito próxima, entre 53% e 56%, dão nota máxima, em uma escala de zero a dez, aos sentimentos de “aversão”, “raiva”, e “tristeza” em relação à legenda.

A mesma relação se aplica quando o questionamento envolve a presidenta Dilma. “É possível que muitos tenham votado em Lula para presidente. Isso me parece um alerta ao PT. As pessoas demonstram se sentir traídas”, afirma a professora.

De acordo com a pesquisa, os principais motivos de oposição ao PT entre os manifestantes de Belo Horizonte são os programas sociais. Para 74,5% deles, o Bolsa Família deixa as pessoas preguiçosas. Outros 61,3% são contra a vinda de médicos cubanos ao país. E 64,7% defendem a extinção das cotas raciais.

Além disso, os pesquisadores observaram um sentimento de superioridade quanto a outras classes ou regiões do país. Para 52,1%, “os nordestinos têm menos consciência política na hora de votar do que as pessoas de outras regiões do país” e para 74% “os pobres são mais desinformados na tomada de suas decisões políticas”.

Apesar do perfil conservador, os manifestantes também se mostraram divididos quando perguntados sobre porte de armas para “cidadãos honestos” (53% favoráveis), legalização do aborto (46,5% favoráveis), pena de morte (41,5% favoráveis).

Os itens em que o posicionamento foi mais definido entre os manifestantes mineiros foram a redução da maioridade penal (74,5% favoráveis), a liberação do consumo de maconha (67,5% contrários) e casamento entre pessoas do mesmo sexo (61,1% favoráveis).

Já em relação à reforma política, houve expressivo apoio ao fim do financiamento privado de campanhas eleitorais (61,3%) e ao fim da reeleição (73,9%). Quanto à chamada Agenda Brasil, 60,3% se mostraram contrários ao aumento do tempo de trabalho para a aposentadoria, mas 43% se disseram favoráveis à cobrança no Sistema Único de Saúde para os mais ricos.

Mesmo estando presente na manifestação – também pela primeira vez –, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já não encanta tanto os manifestantes mineiros, segundo dados colhidos pelos pesquisadores.

Dos entrevistados, 78,6% dizem ter votado no tucano no segundo turno da última eleição, mas somente 48,6% afirmam que votariam nele hoje. Entre os demais, 6% disseram que votariam no ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e outros 6,7% no deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). E 19% não têm candidato. 
Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/

Os Anos JK - Uma trajetória política